sábado, 19 de dezembro de 2009

NATAL
Celebração do Nascimento

Me lembro ainda hoje, quando criança , a família toda envolvida na decoração da árvore de natal que meu pai colocava na sala da nossa casa. Eram momentos de grande alegria, e de muita expectativa em relação a chegada do Papai Noel. A fantasia e o encantamento que se cria neste momento, fazem parte de um período onde nós quando crianças vivenciamos com grande alegria. No entanto , me lembro bem, um dia descobri que o Papai Noel que vinha todos os anos a nossa casa era uma senhora, uma vizinha que morava numa casa próxima . Porém aquilo não me entristeceu, ao contrário , me senti esperto, adulto, por ter descoberto aquela “farsa”. Toda a simbologia que esta envolvida com a presença do simpático velhinho se perde no longínquo passado. Natal , tem a mesma raiz etimológica de natalidade , significa nascimento. É uma festa que representa esta grande alegria - O NASCIMENTO. Em realidade o natal como festa comemorativa ao nascimento de Jesus Cristo foi instituido em 354 d.C pelo Papa Libério em substituição das festas pagãs que comemoravam todos os nascimentos, o entusiasmo, a alegria que se expressa em cada novo ser que carrega dentro da si a esperança de um novo mundo. Todo nascimento é a real possibilidade de que a vida continua e todas as esperanças são renovadas. E isto é motivo, sim, de comemoração. Porém atualmente estamos comemorando uma festa comercial, que cria uma expectativa ilusória , que transformou o encantamento e toda simbologia envolvida com o NASCIMENTO num grande negócio.Um período de excessos, de exageros e extravagâncias. Todo encantamento é a aposta numa alegria ilusória , na troca de presentes, num sentimento que se materializa num objeto, que é dado com data marcada, onde se perdeu o verdadeiro sentido de comemorar o NASCIMENTO.
A maioria está envolvida pelo sistema , que nos infantiliza, pois reproduz em todos nós , adultos, as ilusões de crianças, quando nos deliciávamos com as fantasias de um mundo imaginário. Devemos viver sim, a magia , o encantamento, a alegria; porem conscientes, responsáveis, percebendo e vivenciando a realidade como seres solidários, em que ao expressarmos os sentimentos natalícios tenhamos consciência que existem muitas pessoas que não terão motivos para estar felizes neste momento, e por isto devemos nos solidarizar com os que sofrem. Devemos reconhecer o esforço histórico de muitas gerações que nos antecederam, as vezes com muito sofrimento, e por isto devemos agradecer.Devemos reconhecer o nosso papel enquanto indivíduos e como família, e isto é uma grande responsabilidade para dignificarmos os valores humanos. E principalmente sentir a magia e o encantamento de estarmos presentes, de nos responsabilizarmos pelo NASCIMENTO de todos os seres que nos sucederão, de criarmos neles a consciência de que esta magia , este encantamento ,esta alegria, é eles perceberem esta realidade e que a esperança de um mundo melhor esta colocada em suas mãos.
Que a magia , o encantamento e a alegria sejam a comemoração do essencial da vida.
Gilberto Benathar Ballod
Dez/2009

IX Encontro do CEIVAS


=> Foi realizado o IX Encontro do CEIVAS nos dias 12 e 13/12/2009.
=> No sábado a Marisa discorreu sobre as propriedades do Missô, uma vez que a equipe esta planejando fazer missô na comunidade.
=> No domingo, enquanto a equipe feminina se envoveu com a culinaria, o Ivo conduziu o painel sob o assunto "Comprovação de saúde, sustentabilidade, entusiasmo, educação, felicidade, justiça, destino...,pela boca".
=> Todo o encontro foi bem estimulante.
=> Participantes: Amanda, Carolina, Denise, Gilberto, Iara, Ivana, Ivo, Marisa, Rubens, Valdir e Valentim.
Por: Ivo

domingo, 22 de novembro de 2009

Viva o Desequilibrio

VIVA O DESEQUILÍBRIO


Vida equilibrada .
Vida armoniosa.
Vida tranquila.
Vida saudável.
Todas estas condições são , em essência, a busca de quem se propõem a viver a sua trajetória de vida neste nosso planeta Terra. Muito se fala e muito se faz , com a intenção de atingir estes objetivos na vida de cada pessoa. Os meios para se atinguir estes objetivos são a todo momento nos apresentado pelos cientistas, pelos jornalistas, e por todo o marketing que se faz na mídia mundial. Temos várias receitas para que alcançemos esta “vida equilibrada”, e em diversos campos da nossa existência ; equilíbrio na alimentação , equilíbrio na saúde, equilíbrio nas relações familiares etc, etc, ..... e por ai vai numa infindável lista de buscas equilibradas. Equilíbrio é bom , desequilíbrio é mau. Não é esta a compreensão que imediatamente temos ao nos colocarmos diante desta situação? Equilíbrio é uma palavra desgastada na verborragia popular . É sempre visto como o eixo norteador que almejamos para encaminharmos as acões da nossa vida cotidianamente. Nós todos nascemos impregnados por uma compreensão maniqueista da realidade; filosofia segundo a qual o universo foi criado e é dominado por dois príncipios antagônicos e irredutíveis: Deus ou bem absoluto e o Diabo ou o mau absoluto. Pergunto se o equilíbrio não seria transitar num campo mediano entre Deus e o Diabo? Seguramente que a maioria me responderia que quer estar mais próximo de Deus do que do Diabo. Mais ao lado do Bem do que do Mau . Ou melhor , se possível gostariamos de excluir o mau de nossas vidas. Gostariamos de viver sem doenças , sem miséria e sem insegurança. Três desgraças da humanidade! Onde ficaria o equilíbrio então ? Quero me contrapor a toda esta reflexão feita até aqui dizendo que sem desequilíbrio não haveria VIDA . Não haveria movimento. Não haveria evolução . Sem desequilíbrio não haveria os grandes líderes, os grandes descobridores, os grandes cientistas que a humanidade já teve e com certeza ainda os terá. Para o bem ou para o mau. Gandhi e Hitler são frutos do desequilíbrio . Não existiriam pessoas que se destacassem se não fossem “desequilibradas”. Na existência do nosso cotidiano comum não se formam pessoas que se destacam. Estas são o resultado do “desequilíbrio” . A maioria vive uma realidade que segue valores , entendimentos, que são determinados pelo meio no qual estamos inseridos; seja a família, o ambiente social, profissional e todo o conjunto de condicionamentos resultado das compreensões que vamos construindo vida a fora na nossa relação com tudo a que estamos interagindo. Pessoas destacadas tem algum “desequilíbrio”. A existência é um constante movimento ascendente ou descendente , onde a todo momento desequilibramos e necessariamente temos que reequilibrar. Pois se as coisas continuadamente se desequilibram ou se continuadamente se reequilibram , gerariamos , com certeza, uma situação de insustentabilidade. E se estivessem continuadamente equilibradas estaria tudo parado, morto. Qualquer objeto em movimento , passa necessariamente, partindo ,digamos, dum ponto de equilíbrio , a um outro ponto de desequilíbrio e que rapidamente tem que se reequilibrar pois se não , cairá. Então , em vez de buscarmos unilateralmente a “vida equilibrada” , não seria mais normal buscarmos uma vida com um “equilíbrio desequilibrado reequilibrador”?. Tudo ao mesmo tempo, se dando simultaneamente? Ai sim existiria movimento, pois só “equilíbrio “ ficaria tudo parado.Imagine, um equilibrista como na foto abaixo:
Na sua trajetória de um lado ao outro ele sempre passará por um ponto de equilíbrio , um outro de desequilíbrio e necessariamente terá que ir a outro ponto de reequilíbrio. Ou seja o seu movimento será um constante “equilíbrio desequilibrado reequilibrador” até que alcançe o outro lado. É assim que a vida de cada um de nós caminha. Tudo na existência universal se dá ternariamente. Tudo sempre terá um lado principal , outro lado complementar e um eixo. Não existindo absolutamente um melhor( bom) e outro pior(mau). Tudo se dá relativamente. Bom pode ser mau e mau pode ser bom . Equilíbrio pode ser mau e desequilíbrio pode ser bom, e vice-versa. Por isso, tudo passa por um processo permanente de nossa autoeducação onde cada vez mais vamos desenvolvendo nossa capacidade de percepção e desta forma a entusiástica oportunidade de viver plenamente, ou seja o EQUILÍBRIO DESEQUILIBRADO REEQUILIBRADOR. Por Gilberto Ballod

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dogmatismo Macrobiótico

DOGMATISMO MACROBIÓTICO
O artigo publicado por Michael Rossoff intitulado “ A macrobiótica em uma encruzilhada”, faz uma reflexão, porém não entra naquilo , que no meu entendimento reflete o grande dilema da macrobiótica atualmente. Nenhuma forma de se alimentar pode estar desvinculada de um processo de auto-educação individual permanente. Isto é uma questão fundamental. É neste processo de reconhecimento continuo de nós mesmos que desenvolvemos nossa sensibilidade instintiva para que possamos estar nos colocando da forma mais adequada possível neste mundo relativo. E o que percebo em todos os lugares onde existe o dito “modo macrobiótico de viver”, é uma acalorada discussão sobre como comer equilibradamente de acordo com a relação yin/yang. Nossas relações com a comida gastronômica é só uma parte de um verdadeiro estilo de vida saudável. Penso que se faz necessário varias mudanças , práticas e conceituais que podem revitalizar a dita “macrobiótica”, desde dentro e desde fora , e a principal destas mudanças é entender que a vida não se vive só macrobioticamente mas também microbioticamente. Este erro conceitual é determinante da maior parte dos equívocos deste movimento atualmente. A nossa percepção da vida é resultado de aprendizado contínuo, permanente, onde a cada dia , mês, ano... vamos desenvolvendo nossa sensibilidade e buscando sempre , de uma forma crescente e integrada com a natureza , a nossa vinculação sempre maior com o meio ao nosso redor. Todas as nossas escolhas se darão como resultado deste aprendizado, até o que comemos. Neste mundo relativo tudo pode ser útil , desde que saibamos perceber a utilidade. Tudo passa necessariamente por uma compreensão sempre maior de nós mesmos e de nossa relação com a natureza. Como dizia o filósofo grego Sócrates “Conheça-te a ti mesmo”. Devemos ir mais longe , busca-te a ti mesmo , perceba-te a ti mesmo, reconheça-te ti mesmo . Quanto mais buscarmos a nós mesmos mais nos tornamos solidários e vamos ampliando nossa compreensão crescentemente, partindo do individual e de forma ampliada para o conjugal , social , nacional , internacional e universal. É neste crescente entendimento da vida e de nós mesmos que faremos nossas escolhas , sejam elas quais forem, alimentares , profissionais , sociais etc, etc... Por isto estou propondo um estilo de vida micromacrobiótico, uma alimentação micromacrobiótica ou outro nome que contemple esta compreensão integral da nossa existência. Mas é importante não dogmatizarmos , criarmos exclusões, negando o que não esteja “equilibrado”, pois tudo na vida pode ser incluído , razoavelmente. Tudo pode ter sua utilidade , como falei , mais para chegarmos a esta percepção devemos passar pelo dolorosa , porém maravilhosa descoberta de nós mesmos.
Por Gilberto Ballod

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Representante do CEIVAS na Argentina


EDUCAÇÂO BIOESTRATÈGICA NA ARGENTINA


Realizou-se nos dias 9 ,10 ,11 ,12 de outubro em Buenos Aires uma atividade autoeducativa promovida pelo Almacen Clara Aurora e Vivalafarfalla, onde se desenvolveu uma programação que incluiu uma palestra pública no dia 9 , com o tema “Porque o mundo não funciona como gostaríamos” desenvolvida por Gilberto Ballod , membro do CEIVAS e representando o Prof. Tomio Kikuchi do Centro Internacional de Autoeducação Vitalícia de São Paulo, e nos dias 10,11, 12, em Canuelas a 50 Km de Buenos Aires um encontro com uma programação que incluiu Aula de culinária, Oficina de construção de fornos solares, Oficina de danças circulares, Elaboração de remédios caseiros, Aulas de Chi Kung , Oficina de massagens e uma palestra com Gilberto Ballod sobre Alimentação Bioestratégica . A partir deste encontro na Argentina entendo como fundamental buscarmos uma interligação maior entre nós, brasileiros e argentinos . O que estamos propondo a partir deste encontro é a concretização de uma rede , não somente de comedores de alimento integral , mas interligando pessoas identificadas com a consolidação dos fundamentos teóricos-práticos de um projeto transformador desta realidade que cada vez mais envolve a todos neste consumismo degenerador inconseqüente. Nossa proposta é de resgate de um entusiasmo sintonizado com a natureza, onde pretendemos estar criando uma vibração magnética interligadora de todos que sintonizem na possibilidade de construirmos um outro Mundo Possível.
Ficou evidente nestes dias que estive na Argentina a falta desta unidade de propósitos que é decorrência desta desarticulação das pessoas comprometidas com a busca deste outro Mundo Possível.
Esta rede que estamos propondo se fundamenta no resgate sempre crescente de uma solidariedade que se constrói no desenvolvimento , no aprimoramento da individualidade de cada um , resultado de um processo de reconhecimento de si mesmo fundamentado na sua sempre interligação com a ordem da natureza.
Vejo todos tendo um mesmo objetivo, todos imaginando este outro Mundo Possível , porém cada um puxando para um lado.Não existe um critério norteador que aponte a direção a ser seguida. Todos temos muitas dúvidas, principalmente eu , por isto entendo como fundamental a concretização desta rede interligadora que possa estar sempre buscando o melhor encaminhamento possível para as nossas dúvidas. Não há outro caminho, ou melhor este impasse o vejo como solucionador, para nosso auto-aperfeiçoamento mútuo.

Por Gilberto

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Resultado do solo vivo da comunidade CEIVAS



















Colheitas e pragas, a resposta estará nos venenos?
José A. Lutzenberger in “O Futuro Roubado”
(Our Stolen Future/1996)

A agricultura convencional, chamada moderna, olha os fatores que influenciam a produção, tais como solo, lavração e preparo do solo, adubação, pragas e controle de pragas, concorrência das pragas invasoras ou a seleção genética das variedades cultivadas, etc., de maneira meramente analítica ou reducionista. Cada fator é encarado independentemente dos demais, como se ele se encontrasse sozinho numa caixa ou gaveta fechada.
As pragas são vistas como inimigos arbitrários que podem causar danos graves ou destruir completamente uma lavoura e sempre que possível devem ser erradicadas.
Foi desenvolvido, assim, todo um arsenal de biocidas fulminantes e persistentes, os agrotóxicos: inseticidas, acaricidas, nematicidas, fumigantes, fungicidas, bactericidas, até rodenticidas e molusquicidas e outros pesticidas. O agricultor só precisa seguir à risca as instruções, aplicar preventivamente o veneno no momento certo, sem ter que constatar se há ou não incidência de praga. Assim ele estará acabando com todos os tipos de praga.
Neste caso, a função do solo seria apenas ancorar as plantas e veicular nutrientes solúveis, não importando, realmente se ele está habitado por seres vivos – por minhocas, artrópodos e outros animaizinhos, especialmente colêmbolas e protozoários ou por fungos, algas, bactérias.
As gigantescas corporações do negócio dos agrotóxicos já compraram quase todas as companhias de produção de sementes. Elas querem monopolizar os bancos genéticos para controlar a seleção de maneira a poder promover somente variedades que dão resposta máxima a seus insumos químicos. Estas, são semente peletizadas, recobertas de adubo químico, de fungicida, de inseticidas e, até um herbicida total para o qual a respectiva variedade da semente é resistente. Não mais resistência a pragas, resistência ao agrotóxico. Esta semente peletizada escapa completamente do controle do agricultor, que foi quem, no passado, por seleção consciente ou empiricamente inconsciente, criou a fantástica diversidade biológica dos cultivos nas tradicionais culturas camponesas.
Mas uma minoria crescente de agricultores e técnicos em agricultura começa a ver as coisas de uma perspectiva diferente. Eles raciocinam não em termos reducionistas, mas holísticos. Para eles, tudo está ligado com tudo. Não conseguem ver inimigo arbitrário no parasita. Tampouco querem exterminá-lo. Sabem que um processo tão vetusto como é a Evolução Orgânica, mais de três e meio bilhões de anos, não pode produzir espécies erradas, que nem deveriam existir.
Não há espécie vegetal ou animal que não tenha seus parasitas e eles existem há milhões de anos. Se isto acontece é porque o parasita não tem condições de prosperar sobre hospedeiro são. Ele só prospera sobre o que está de alguma forma em situação marginal. Em um ecossistema intato, toda população, de seja qual for a espécie, sempre tem seus indivíduos doentes, fracos, feridos, desequilibrados. É em cima destes indivíduos que o parasita prospera, sem jamais exterminar toda a população da espécie hospedeira. Ele é um dos crivos do mecanismo de seleção natural, que tende a melhorar constantemente as espécies.
Os camponeses tradicionais, com sua sabedoria ancestral, sabiam que a praga não ataca a não ser as plantas que não estão bem equilibradas. Por isso, eles procuravam obter cultivos sãos através de um manejo adequado do solo, o que incluía descanso da terra, compostagem de resíduos vegetais e animais, adubação verde, adubação foliar, cobertura morta, rotação de cultivos, plantas companheiras e outras práticas.
Só raras vezes os agricultores biológicos modernos combatem as pragas diretamente, e o fazem usando defensivos naturais, não tóxicos, como cinza, talcos de rochas, extratos herbais, caldos biológicos como soro de leite, chorume de biogás.
De acordo com Chaboussou, os parasitas, quer se trate de insetos, ácaros, nematóides, protozoários, fungos, bactérias ou mesmo vírus, só podem proliferar em plantas com desequilíbrio metabólico que leve a níveis exagerados de nutrientes na seiva. Numa planta sã estes níveis são baixos.
Quando degradamos a estrutura do solo pela excessiva agressão mecânica, causamos erosão e perda de húmus, destruímos a vida do solo pela agressão química, e eliminamos o alimento da microvida do solo.
A maioria das plantas vive em simbiose com outros organismos no solo. A ponta da raiz capilar, a última extensão da raiz, já quase microscópica em diâmetro, exuda uma substância gelatinosa chamada mucigel, com a qual se recobre como se fosse uma luva. Nesta capa constituída de alimentos energéticos, açúcares e amidos, instalam-se bactérias especiais. Esta capa é atravessada por filamentos que se extendem por vários metros além da ponta da raiz e podem unir-se ao micélio que serve à planta vizinha da mesma espécie.
Esta simbiose tripartita – planta, bactéria e fungo, a que damos o nome micorriza, consegue retirar nutrientes minerais até da estrutura cristalina da rocha, isto é, de cacos de pedra e grãos de areia ou de concreções minerais.
Mas a micorriza só funciona em solo vivo, rico em húmus. Não mais precisamos entrar em detalhes sobre como os métodos da agricultura moderna destroem a micorriza – em proveito da indústria química...
Outra simbiose importante é o rizóbio. As leguminosas albergam em nódulos especiais que produzem em suas raízes determinadas bactérias que fixam para elas nitrogênio do ar.
Portanto, se a planta estiver bem equilibrada, a praga não vingará.


Como podemos perceber, a indústria química domina também o setor do agrobusiness, impondo tanto aos grandes agricultores, como aos pequenos, que os agrotóxicos são essenciais para uma boa colheita.
Com isso, o solo que é a mãe geradora dos nossos alimentos, está morrendo, está produzindo alimentos envenenados. Alimentos esses que acabam interferindo no metabolismo químico dos seres que deles se alimentam, alterando comportamentos.
Precisamos manter o solo da nossa comunidade vivo, rico em húmus. Podemos fazê-lo, dialogando com a mãe terra e usando a sabedoria dos nossos antepassados que conheciam o valor do solo vivo.

Compilação e comentário: Iara Cadore Casett

sábado, 10 de outubro de 2009

Preparo da conserva de repolho no CEIVAS


No dia 04/10/2009 reuniram-se Gilberto, Ivo e Valentim, para o preparo da conserva de repolho colhido na horta comunitária. Foto: Iara

Conserva na tina de madeira


Sob a orientação do Valentim foi preparado o corte, o tempero (sal e nirá) e o acondicionamento da conserva numa das tinas adquiridas pelos integrantes do Centro de Educação Integral e Vitalicia do Alto Silva. Foi uma experiência coletiva-solidária, uma das marcas que pauta a filosofia local. Foto: Iara

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Uma Escola da Natureza



CEIVAS – Centro de Educação Integral e Vitalícia do Alto Silva
Foto: Iara Cadore

UMA ESCOLA DA NATUREZA


Estamos propondo a criação do CEIVAS para estabelecermos um espaço que classificamos como de REDESCOBRIMENTO.
Hoje tudo está manipulado, forjado, engendrado, acobertado pelos interesses deste modelo vigente. Então estamos discutindo com a estruturação do nosso Centro CEIVAS- uma proposta para descobrir o que a luta diária pela sobrevivência nos encobre. Estamos buscando, propondo o desenvolvimento numa escala crescente partindo do redescobrimento individual, próprio de cada um de nós, e ampliando aos aspectos conjugais, familiares, sociais, nacionais, internacionais, universais.
Neste espaço onde já há mais de 2 anos desenvolvemos a nossa contínua auto-educação, estamos buscando com o aperfeiçoamento da individualidade de todos que lá participam, uma solidariedade que resgate as características que são inerentes a nós, seres humanos dotados de uma racionalidade, de um sentimento e de uma voluntariedade.
Somos seres gregários: a realidade a todo momento nos coloca a necessidade de sermos solidários. Pertencemos a uma grande teia da vida, em que atualmente a imposição deste modelo de sociedade de consumo atual, nos coloca como reprodutores de uma realidade que foge do nosso controle, pois tudo aqui está conformado para reproduzir o consumismo depredador desenfreado. Pensamos num outro mundo possível, que não é idealizado imaginatoriamente nas nossas cabeças, mas sim fruto do treinamento vital, do redescobrimento dos aspectos mais essenciais da natureza humana. E a descoberta desta essência que está encoberta, necessita ser redescoberta. Redescobrimento de cada indivíduo (mente, sentimento e vontade). Redescobrimento da ordem da natureza.
Este é o encaminhamento que damos a todos que lá buscam esta interligação vital consigo mesmo e com a natureza. Entendemos que nada pode ser construído sem a compreensão de que todo o processo de crescimento pessoal é resultado de uma busca incessante, conseqüente, que se conforma no resgate de todo conhecimento herdado no processo histórico de todas as gerações que nos antecederam e na sua interligação com a natureza. Compreendendo o desenvolvimento dos seres humanos resultado de uma relação integradora, respeitosa, humilde, de um claro entendimento do papel que nos cabe como membros desta grande teia da vida.
Por Gilberto Ballod